domingo, outubro 10, 2010
O MAR ESTAVA tão bravo que o sal enchia o ar de brancura e claridade. A espuma crescia como se alguém tivesse derramado uma gigantesca lata de tinta branca sobre praias, rochedos, vegetação baixa. Nada de gaivotas, que o vento as levara, as desviara da rota. O bramido das ondas ocupava toda a terra.
sábado, outubro 09, 2010
sexta-feira, outubro 08, 2010
QUÃO CINZENTO pode ser o verde da minha alma nos dias anoitecidos em que o vento ruge na vidraça das janelas como numa visão sem idade. Saio em busca de encontrar o nexo do que me compromete, mas volto, com mais cegueira, mais evidência de vazio, à casa humedecida de bátegas que a tristeza escorre por mim.
quinta-feira, outubro 07, 2010
VOU NA ESTRADA, penso em EL e desintegro-me por dentro, enquanto CB me vai acalentando na sua trompete com dedos de piano tremeluzindo. Passaram anos sobre a carnificina, mas é como se a sua ameaça estivesse à espera num beco adiante para nos tirar a vida de novo. Aranjuez arde em mim, que não falo, só vejo.
quarta-feira, outubro 06, 2010
O QUE ME CHEGA aos ouvidos, todos os dias, quando vou na rua, quando almoço num restaurante, quando faço compras num supermercado, nada tem a ver com o que naquele momento penso ou sinto. É como se a minha língua fosse outra, como se a minha viagem apenas tivesse sofrido, por acidente, um ligeiro desvio na sua rota...
terça-feira, outubro 05, 2010
segunda-feira, outubro 04, 2010
VOU ENTRAR na fase de me perder e ser feliz. Estou perto de subir a escada para aquela janela onde desatarei a escrever numa loucura por cima de tudo o que acontecer. Passarão horas da luz ao vazio e à escuridão sem que eu me aperceba do que há em redor. A não ser daquele tropel de vozes com olhares esgueirando-se por incontáveis frinchas.
domingo, outubro 03, 2010
O MISTÉRIO que subsiste é o da relação indomável e lancinante entre o ser criador e o ser criado. Não há distâncias, nem tempos ou universos que o suplantem. Nem medos, perigos, desejos, ameaças ou poderes, por mais insanos que se revelem. É o mistério das infinitas distinções entre dois seres, que se continuam, para que um e outro sejam o mesmo.
sábado, outubro 02, 2010
NUNCA pensei que a escrita pudesse trazer tanta felicidade. Não foi para ser feliz que me dediquei a ela. Comecei a escrever para contar o que tinha dentro de mim e não para encontrar a felicidade em romances. Afinal, não contei grande coisa e a felicidade acabou por me atingir de uma forma que eu estava longe de merecer.
sexta-feira, outubro 01, 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)