sábado, março 20, 2010
sexta-feira, março 19, 2010
Primeiro que tudo, quis que nada deixasse de correr bem. Depois, desejei que te chamasses como te chamas. Passei meses à espera da tua vinda. Todos os dias era uma agitação. Imaginava-te vezes atrás de vezes, sem me atrever a falar sobre o que pressentia, para não me acusarem de ter perdido o norte. E o certo é que chegaste precisamente como te fui construindo…
quinta-feira, março 18, 2010
Por vezes penso como seria se eu tivesse um pé boto, como me sentiria por dentro, como disfarçaria o defeito, como aceitaria que as pessoas me olhassem de uma certa maneira, como superaria a dificuldade de chegar aos sítios pelos meus próprios meios, como procederia quando se tratasse de me expor na intimidade com alguém…
quarta-feira, março 17, 2010
Agradeço-te o tempo que ocupaste a embalar-me no berço, agradeço-te a companhia que me fizeste nas noites em que eu não dormia quando tratavas da roupa no quarto de serão, agradeço-te a possibilidade que me deste de estudar e viajar, agradeço-te LMP que tem os olhos da cor dos teus e agradeço-te EMR que não descansa enquanto não for visitar a tua campa.
terça-feira, março 16, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
A família inibe a visão do mundo porque tem uma força que nos prende e impede de partir à descoberta dos meandros. Para crescermos, amadurecermos, descobrirmos e vivermos sobressaltos de cidades, devemos pôr os parentes no lugar. Abandoná-los, para mais tarde os reencontrar. Mesmo que só depois de mortos.
domingo, março 14, 2010
Há conhecimento dentro de pedras, pedras dentro de ideias, ideias dentro de fogo, fogo dentro de alegria, alegria dentro de revolta, revolta dentro de amor, amor dentro de terra, terra dentro de nuvens, nuvens dentro de sonhos, sonhos dentro de água, água dentro de pessoas, pessoas dentro de fuga… E biliões de galáxias onde nos falta acontecer.
sábado, março 13, 2010
Esta noite (terá de ser mesmo esta noite…), sairei de casa, sem saber de ninguém, e deslizarei na chuva miúda que há-de cair imóvel sobre os telhados brumosos, ouvindo CB em cada centímetro de alma. Para que mais nada me possa preencher. Só o absoluto silêncio do som, neste caminho a norte, onde os sonhos matam.
sexta-feira, março 12, 2010
A vida é pouco. Sabe a pouco. Por mais que aconteça. É pouco levantar da cama, respirar a manhã, tomar o pequeno-almoço sob o peso do que virá a seguir. É pouco namorar porque há afazeres que obliteram o prazer obtido. É pouco estudar: exercita o cérebro, mas não liberta. Viajar é pouco, é uma ilusão. Só não é pouco escrever.
quinta-feira, março 11, 2010
Ontem, passava a brisa da noite e K. comia, olhando em redor, com receio que de repente surgisse alguém do escuro para lhe disputar a refeição. Transmiti-lhe palavras de tranquilidade, falei-lhe pausadamente e de forma objectiva, mas nem assim deixou de andar à volta do prato, arfando, vigiando, devorando, agitando-se ao mais leve desassossego de paisagem.
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