sábado, junho 20, 2009
A maior injustiça que se pode fazer é identificar as pessoas como homens ou como mulheres. Porque, à partida, essa diferenciação cria um fosso que se torna responsável pela definição de dois caminhos antagónicos, que levam os seres humanos a perder-se definitivamente uns dos outros, barricando-se por detrás de poderes insanos e perversos que conduzem à sua própria negação…
sexta-feira, junho 19, 2009
C. anda pela casa à procura de A.M. sem perceber que A.M. é agora um montinho de cinzas dentro de um vaso colocado na secretária sobre a qual sucumbiu. Depositou-o ali J.M. para sentir a sua presença e poder continuar a vir tagarelando pelo corredor até à porta do quarto onde A.M. trabalhava, a fim de trocarem impressões sobre isto e aquilo…
quinta-feira, junho 18, 2009
Tudo está dentro de algo, tudo tem dentro algo, individualmente e colectivamente, infinitamente e eternamente. Nem de outra maneira poderia ser. A nossa tarefa é conhecer o que temos dentro de nós, bem como aquilo dentro do qual estamos, tal como nos compete descobrir e compreender o que está para além do que nos envolve…
quarta-feira, junho 17, 2009
Recorta as sobrancelhas, pinta o cabelo, as pestanas, os olhos, as unhas, maquilha-se, demora-se diante do espelho e depois avança pela casa com aquele seu andar voluptuoso capaz de perturbar a cor das paredes. Os pais não conseguem enfrentar-lhe o rosto. No ar, reinam interrogações e silêncios de pedra.
terça-feira, junho 16, 2009
Nada há de tão humano como as cidades que fervilham de gente de noite e de dia. Quanto mais fervilham, mais cidades são, mais humanas são. A solidão, o crime, a violência, a barbárie, a fuga, a libertinagem, são o que transmite um carácter humano às cidades. Se fossem ordeiras e submissas, as cidades não seriam cidades, seriam campos de ovelhas.
segunda-feira, junho 15, 2009
As pessoas que desde sempre amei morrem à sombra das flores e cantam agonizando como peixes sobre o altar da praia onde nasci de olhos virados para o tempo sem esperança nem alimento. Cantam e morrem as pessoas que amei, enquanto oiço as suas vozes aninhando-se num canto que talvez esconda a última explicação para o que as espera...
domingo, junho 14, 2009
Quem se mostra mostra-se a quem? Deixar-se ver é despir-se perante o outro, é revelar privacidade. E denota um primitivismo semelhante ao dos membros de uma tribo que sorriem para as câmaras no momento em que são descobertos pela civilização. Mas esses, ao menos, não têm consciência da sua nudez e dos efeitos da sua exposição…
sábado, junho 13, 2009
Olha-se para trás e vê-se a causalidade da vida que temos, do corpo que somos, da ideologia que construímos. Vê-se a própria genética, a sua continuidade e as suas rupturas. Do passado vem a luz que indica o caminho a seguir, por entre respostas, soluções, alternativas. E é nesse olhar para trás que se deslinda o futuro…
sexta-feira, junho 12, 2009
Quanto maior a audiência, maior a probabilidade de absorção da mensagem pela mediania. Quanto maior a absorção da mensagem pela mediania, maior a necessidade de o emissor da mensagem responder à solicitação dos mercados. Quanto maior a solicitação dos mercados, menor a capacidade de o emissor da mensagem trabalhar com independência e liberdade.
quinta-feira, junho 11, 2009
Crianças que concebemos e com as quais vivemos acabam inevitavelmente por nos deixar. Quanto mais cedo o fazem, mais cedo nos recompomos e corrigimos o percurso que um dia teríamos sempre de rever e repensar. As crianças crescem sem nós, ganham autonomia, à medida que vão descobrindo caminhos aqui e ali. Resta-nos segui-las à distância… até as perdermos de vista.
Subscrever:
Mensagens (Atom)