terça-feira, fevereiro 10, 2009
O meu coração arde sem palavras. Quando elas me faltam não sei para onde me virar. Busco no vazio, remexo, sujo-me, não me entendo. Volto ao princípio e as coisas apresentam-se-me confusas, sem préstimo. Dou uma saltada ao fim e deparo-me com um caos semelhante. As palavras fazem parte da ordem do amor.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
domingo, fevereiro 08, 2009
sábado, fevereiro 07, 2009
Passo os olhos pelo mundo com as suas horas sem remédio e derivo para outra coisa, outro sítio, em busca de algo em que me reveja. Por mais que desça às funduras, nada resta que me possa fazer renascer. Há a febre, a escrita, o torvelinho da arte… mas as pessoas, meu Deus, como poderão viver sossegadas no seu labirinto de dor?
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Abre-me a porta e olha-me com um ligeiro sorriso, a que adiciona um esgar de reflexão sobre o que tenciona dizer-me e que já havia congeminado ainda antes de saber que eu apareceria lá em casa. E deixa-se ficar diante de mim, barrando-me a passagem, hesitante, como se tivesse uma ideia suspensa dos olhos sem luz, quase como se não me conhecesse…
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Há pessoas que me abalam de tal forma que só me apetece segui-las sem olhar para trás. Mas segui-las sem deixar de ser eu. Segui-las apenas na paixão intelectual que despertam. Segui-las não saindo do lugar onde me encontro e não pondo em causa a segurança em que me estribo. Segui-las, apenas, no meio de risos sem fundamento.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Passávamos tardes inteiras a conversar no adro da igreja da terra onde nascemos. Risos, brincadeiras, novidades, rumores, tudo vinha ter connosco. Não precisávamos de ir mais longe. Bastava-nos ficar ali, vendo gente, imaginando coisas, sonhando o mar que nos viajava. O centro do mundo era onde tínhamos os pés.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Perto da minha casa, vive AM. Há dias, trouxe-me a foto de uma criança de meses com uma flor nas mãos rechonchudas. Sempre que me vê, AM acena, atravessa a rua e precipita-se na minha direcção, como se tivesse medo de que eu lhe escapasse. Mas paro sempre para ouvir o que tem para me dizer, mesmo quando as suas palavras tropeçam e se repetem e se negam e se reencontram…
domingo, fevereiro 01, 2009
Hoje estive a almoçar à beira-mar com C., P. e R. O tempo passava sem se dar por isso. Ou dava a ideia de nem passar, tal a acalmia de cada instante em que nos revíamos. Conversámos do que vai sucedendo pelo mundo e cá no meio, enquanto mirávamos as ondas revoltas, que por pouco não invadiam terra nas suas explosões de vento e claridade
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