sábado, julho 10, 2010

QUANDO SINTO desânimo, frustração, tristeza, salto uns dias no calendário e dou-me conta de que uma nova disposição me invade. Desato a tratar de outros assuntos, com pessoas diferentes, muitas vezes até em novos lugares, envergando roupas que antes nunca tinha usado. Como se de repente adquirisse outro corpo, outra identidade, outro espírito. E não volto atrás.

sexta-feira, julho 09, 2010

CHORAR PARA QUÊ se à nossa frente há o nada, o mar revolto, o silêncio das trevas? Chorar para quê se não há salvação no frenesim das coisas? Chorar como rir é dizer um fado, é seguir na ponta dos pés até ao limiar do abismo. Algures nasceu uma criança que estrebucha na manhã clara e isto é tudo o que a vida contém e nos pode dar.

quinta-feira, julho 08, 2010

SÓ QUEM NÃO TEM voz nem ideias pode dizer que tudo já foi descoberto, escrito, pensado. Ao dizê-lo, perde o rasto de fulgores que acompanha a nossa fuga para as expectativas. Perde a curva da estrada infindável. O mundo está sempre inteiro para ser descoberto e ser escrito. Rastos e rastos… expectativas de expectativas…

quarta-feira, julho 07, 2010

AS PALAVRAS BANAIS, quadradas, contêm rudeza, enquanto as palavras livres e sem regras contêm as alegrias todas do mundo. São as palavras livres que definem os sentimentos, que trazem o sol e a chuva, que decidem o curso dos rios, que erguem a bravura das cidades. São elas, palavras sem dono, que estão sempre prontas a rasgar o negrume.

terça-feira, julho 06, 2010

O QUE CONTA não são os outros, mas a forma como os compreendemos. O que podemos fazer é pouco, mas é muito - é infinito - o que podemos compreender. Por isso nos devemos dedicar mais a compreender do que a fazer. Ao compreendermos mais, podemos sempre contribuir para que alguém encete um novo caminho...

segunda-feira, julho 05, 2010

LMP CHEGA e a luz transborda de verde sobre os campos de cinza, onde a solidão vive anichada em desejos. Logo que os seus pés tocam o solo, há um vento que agita as horas de fantasia palpável, uma espécie de romance que se vai abrindo para organizar o caos, como se muita gente quisesse entrar…

domingo, julho 04, 2010

HÁ QUALQUER BRILHO no seu universo que me sugou. Qualquer brilho que me cegou, que me cativou, para me levar a distinguir melhor e me fazer seguir adiante. Um brilho que veio do passado e me tornou maior, assim me reduzindo, me tornando insignificante. Não posso ambicionar mais, para além destas palavras que o destino me escreveu...

sábado, julho 03, 2010

A CLARIDADE ATRAVESSA OS PÁSSAROS no princípio da névoa. E mais nada se ouve em redor do mundo. Só cada pássaro dizendo o que anseia em palavras redondas de premonição. Podem inventar paisagens, sonhos, amores, que nem assim deixarei de me revelar. A distância caiu-me no colo quando me preparava para a agonia.

sexta-feira, julho 02, 2010

ESTAVA UM CÉU azul, com nuvens ligeiras deslizando na brisa imensa. Mas não tanto azul que trouxesse alegria à paisagem. O cinzento caía sobre o mar como se uma ameaça de tempestade se escondesse atrás do horizonte. Meia dúzia de crianças atravessaram o areal e, sem comentários, entraram nas sombras do tempo.

quinta-feira, julho 01, 2010

TENHO SAUDADES DE DESCER ao subterrâneo das ruas, onde se descortina a razão das vontades. Fazem-me falta os desejos, até os que não vivi, nas cidades com as suas casas gigantescas servindo de abrigo no estertor das horas. Milhões de mãos refletindo ao sol, sem pensar em termos. Só gente vagueando para o fim.