quinta-feira, maio 20, 2010
Tocam as cordas da minha afeição e desvario, enquanto vou despejando ideias e vislumbres sem fazer questão de convocar juízes, algozes ou afins. Os sons e brilhos entram-me por infinitas instâncias. As sombras invadem-me de calor. E deixo-me estar na pedra sobre a qual repouso porque sei que é esta a forma de viajar o movimento.
quarta-feira, maio 19, 2010
O choque da tua notícia. Como uma faca que atravessa o vento. Ficar sem palavras em cima de não palavras. Olhar em volta e ver o céu inclinar-se sobre as casas e não ter para onde fugir. Não poder acusar, não poder perdoar, não poder aprofundar. E verificar que ascendes no braseiro do mundo para me enviar mensagens de paz.
terça-feira, maio 18, 2010
Orgulho, vaidade, ciúme, posse, inveja, rancor, egoísmo, inflexibilidade, ódio… Estive a verificar quanto havia em mim de cada um desses poderes destruidores e concluí que hoje praticamente nenhum deles me incomoda ou faz parte dos meus dias. Já convivi de perto com alguns, mas acabei por os deixar ir, sem grande esforço, mágoa ou alarido.
segunda-feira, maio 17, 2010
Há tanto amor numa ilha pequena que as fronteiras do mar apertam e aumentam através de sinais por decifrar. Há saudade e enxovalho e vento na mais funda condição. Uma ilha pequena é o vasto território do sentimento sem critério, do luto que os naufrágios trazem às vidas. É o corpo silenciado, a revolta que não se pressente em cada raiz sob a nuvem.
domingo, maio 16, 2010
Não sei o que seria de mim se não fossem estes textos sem regras nem contexto, nos quais vazo desapontamentos, saudades, tristezas, depressões, amarguras, momentos por experimentar, ausência de sonhos, promessas vagas, adivinhações, pressentimentos, andanças, conexões, rascunhos de ideias indefinidas. Conto tudo aqui. Menos o que vivi.
sábado, maio 15, 2010
Caem luzes na praça sobre as vozes, rostos cruzam-se no ar escuro, copos tilintam no reflexo das montras, enquanto a chuva desliza nos toldos abertos da noite caindo sobre os jantares como bebida a respingar. Vêem-se mãos trazendo e levando pratos, travessas, talheres. Não há música em redor. Só risos e boa disposição.
sexta-feira, maio 14, 2010
Como posso não reflectir o humano no seu giro de ossos? Como posso estar em sossego quando tudo arde à minha volta nas águas cinzentas? Como posso esquecer o dia em que me impediram de partir? Como posso não olhar a desordem de quem se perde no destino? Como posso alguma vez abraçar o egoísmo, a doença, a dúvida, a ignorância dos elementos?
quinta-feira, maio 13, 2010
Escrever é forma de ser, é movimento sem medida na margem de conceitos ou condições, é caminhada pelo mundo ao lado da fome e da não desistência, é fuga no tempo sobre espirais de infinita vertigem, ó morte que cantas no lugar que ocupo quando me devassas os olhos para que não me falte viver com sobressalto e dor.
quarta-feira, maio 12, 2010
terça-feira, maio 11, 2010
Se falo de escrita nestes apontamentos é porque vivo dela e só dela. Alimento-me do que semeio, concentro-me no que se passa, ou vai passar, executo as tarefas que me cabem, acompanho quem está comigo e, como se por milagre, todas as minhas ideias e actos acabam por desembocar na escrita. Não imagino como seria possível existir de outra forma.
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